Expopajé

Um certo dia, alguém que não tinha o que fazer teve a idéia de organizar uma exposição para músicos se encontrarem, trocarem idéias e conhecerem os novos equipamentos disponíveis no mercado. O tempo passou, e o que era uma exposição para músicos, se tornou uma exposição de músicos.


Sim, músicos expostos. Alguns são até mesmo enjaulados, tendo que assinar autógrafos-padrão para adolescentes cabeludos e espinhentos, que jogam Tibia e acham CDZ o máximo, só porque quem fez a trilha foi uma banda que eles gostam. Esses músicos são muitas vezes atraídos por contratos com patrocinadores, mas nunca imaginaram que teriam que perder o domingo inteiro dentro de um aquário.

Mesmo sabendo que enfrentarão uma horda de cabeludos cuja lei é o Metal, cuja religião são os deuses do Metal, cujos vestimentos são feitos de couro e que consideram o Aço como o único Metal true, alguns músicos ainda se direcionam ao centro de exposições, onde procuram outros músicos que não estejam em exposição e equipamentos que não sejam de gosto duvidoso.

Tal esforço é em vão. Encontrarão apenas dois tipos de equipamento: Aqueles dedicados aos deuses do Metal, caros demais até para se olhar direito, e aqueles dedicados aos que seguem os deuses do Metal, fabricados por trabalho semi-escravo na China e que imagino ser na verdade colméias, já que tanto chiado só pode ser fruto de abelhas raivosas.

Em certos pontos, fica impossível andar pela feira devido a quantidade de indivíduos indesejáveis. Felizmente, existe uma tática, mas cuidado! Se não estiveres atento, podes ser atropelado pelo que se suceder.

A tática consiste em se aproximar de uma das saídas do evento. Ali deve-se dizer algo como “Olha! O baterista do Pajé!” e se sair do caminho para não ser esmigalhado pela multidão que virá. Claro que o nome da banda não é “Pajé”, já que depois de um processo por direitos autorais, a banda colocou um “a” a mais no nome. Isso deixará a exposição livre por tempo indeterminado.

Aproveite.

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